segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Para Onde Vamos

Para onde vão essas pessoas sonolentas, turbulentas, sem calor?
Para onde vão essas pessoas com lírios, com rosas, sem amor?
Para onde vão essas pessoas descalças, com os olhares distantes?
Para onde vão essas crianças em desconsolo, perdidas, errantes?


Para onde vão os índios? Aqueles que foram massacrados, enganados...
Para onde vão os negros chicoteados, condenados sem crimes?
Para onde vão os esfomeados que circulam minha casa, sua casa?
Para onde vão as lágrimas das crianças que choram com fome, descalças?


Para onde vamos sociedade, para onde vamos hipocrisia?
Para onde vamos sol, lua, mar, aves... Para onde, para onde?
Para onde vão aqueles que perderam a fé, a paz? Só possuem desamor!
Para onde foram as vozes que gritaram e foram caladas com sangue, com dor?


Para onde... Para onde vão essas pessoas?

Amar é Uma Forma

Amar talvez seja a maior loucura cometida por alguém;
Amar nos deixa cegos pairando em pensamentos,
Sentimentos a procura de ninguém... Amar é devaneio contínuo
Desejo de se ter, se encontrar, desejo de se perder...

Amar é uma forma não um dever, a forma é simplesmente amar
Amar por amar e nunca dever! Amar por ser livre, liberto de tudo
Liberto do dia, da noite, mas é ser prisioneiro da solidão;
Companheiro da dor e escravo da paixão!

Amar é uma forma, uma forma de querer
Amar é uma forma, uma forma de sentir, de se ter...
Amar é emergir nunca calar ou mudo morrer...
Amar é escolher, se encontrar nunca lamentar e como um todo nada ter.

Amar é complexo, profundo, confuso, traiçoeiro...
Amar é vulcão em erupção, é sonho sem temer, é nunca morrer
Mas em vida realmente viver; amar é padecer no infinito nunca ocultar
O seu sorriso ao tempo em que se deixa vencer.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Poema do Fim

Por hoje cansei, cansei de lutar contra o pesar
De meus olhos que há muito me dominam,
Cansei de pensar em ti e perceber imediatamente
Que não estais mais aqui, que tudo acabou.

Cansei dessas sombras negras que me dominam constantemente,
Tiram de mim a paz, a razão... Elas torturam-me;
Fazem isso profundamente. Meu ser inconstante já não suporta
Mais tanto descaso, tanto abandono, tanta luta...

Estou partindo nesse momento, partindo para longe;
Sei que não deixarei saudade, que meus passos se apagarão;
Que minhas marcas se findam aqui... Perdidas,
Apenas perdidas neste miserável chão!

Meus pés me guiarão para um lugar breve e distante do mundo,
Onde meu corpo possa repousar em um cálido sono profundo.
Sei que tudo em mim se resumirá à pó nada mais além disso,
Nesse instante sentirei que o peso do meu corpo não mais me perseguirá.

Será uma noite triste e sombria, o vento baterá à porta entreaberta,
Meu corpo imediatamente se levantará... Será tomado por um frio intenso!
Aí então minha cansada e solitária alma repousará finalmente.
Distante de tudo, um novo mundo ela habitará.

Olho para meus pés e os vejo se distanciando de mim,
Tenho medo e sinto um frio profundo congelando-me, ferindo-me...
Sei que amanhã não mais verei o sol... Seus ráios não penetrarão
Em minh'alma e tudo em mim estará calmo em silêncio.

Soltarei o meu grito e tomarei à mão a única coisa que realmente possui,
_O medo! Ele me levará para longe... Eu perderei minha vida! Perderei tudo,
Até o que nunca tive... Saltarei para longe, mas ele em sua reação química
Imediatamente me tomará de volta... Aí não posso mais voltar!

Meu suplício acabou agora repousarei constantemente.
Mas lá sentirei novamente a solidão. Tudo estará no fim, mas para mim
Será um doloroso começo, mas mesmo com dor recomeçarei.
Temendo o dia, temendo a noite eu imediatamente recomeçarei.